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Cada animal tem direito ao respeito. O homem, enquanto espécie animal, não pode atribuir-se o direito de exterminar outros animais ou explorá-los, violando este direito. Ele tem o dever de colocar sua consciência a serviço de outros animais. Cada animal tem o direito à consideração, à cura e à proteção do homem.
Art.2º da Declaração Universal dos Direitos dos Animais
O Brasil é um dos países que apresenta maior biodiversidade no mundo. Essa biodiversidade enche os olhos, e o bolso, dos mais ambiciosos desde a época do descobrimento, quando as caravelas que vinham ao Brasil, retornavam a Portugal repletas de peles de onças e aves. Hoje, o tráfico de animais silvestres tornou-se um problema pouco conhecido e seriíssimo, já que é o terceiro maior do mundo, estando atrás somente do tráfico de drogas e de arma. Não existem estatísticas exatas, mas as estimativas são assustadoras. Cerca de 20 milhões de filhotes de aves e mamíferos são arrancados de seus ninhos e tocas todo o ano. Desses, apenas 1% chega ao destino final; o restante morre nas mãos dos traficantes devido aos maus tratos. Ou seja, de cada 10 filhotes arrancados de seu habitat natural, 9 morrem. Os que sobrevivem chegam aos consumidores e, alguns, são recuperados em flagrantes, mas jamais poderão retornar à natureza, condenados a viver em cativeiro. Apesar deste número, o tráfico continua aumentando, pois mesmo assim é um negócio altamente lucrativo, que movimenta 10 bilhões de dólares por ano, dos quais o Brasil participa com 15% aproximadamente.
QUANTO MAIS RARO, MAIS CARO
Esse é a premissa do tráfico de animais silvestres, que hoje é um dos principais fatores do desaparecimento da fauna brasileira. No país, 218 espécies animais encontram-se ameaçadas de extinção, sendo que 7 delas foram consideradas extintas por não existir registros de sua passagem, observação e presença nas matas há mais de 50 anos. No mercado estrangeiro, espécies brasileiras valem uma fortuna e têm três destinos diferentes:
colecionadores particulares e zoológicos
fins científicos
pet shop`s
Os animais provêm, principalmente, das regiões Nordeste e Norte e são encaminhados para São Paulo e Rio de Janeiro de onde partem para o exterior, geralmente pelos aeroportos de Cumbica e Galeão. Outra saída é pelas fronteiras para Argentina, Paraguai, Bolívia, Venezuela, Guianas e, principalmente o Suriname, através de caminhões. Aliás, os caminhoneiros, juntamente com motoristas de ônibus e pequenos comerciantes, são os principais responsáveis pelo tráfico interno, que se caracteriza pela desorganização. Já o tráfico internacional é sofisticado, esquematizado e planejado, envolvendo grandes empresas e laboratórios e pessoas milionárias.
UMA QUESTÃO SOCIAL
Moradores de regiões próximas a matas conhecem os costumes dos animai. Por apenas um saco de feijão, por exemplo, eles retiram os filhotes de seus ninhos e tocas e entregam-nos aos pequenos comerciantes. Os filhotes são vendidos para pequenos consumidores em feiras, onde acontece o contato com grandes traficantes. Os animais mais procurados ficam em casas perto das feiras. Os valores de venda internos são bastante baixos quando comparados aos do mercado internacional. A captura de animais silvestres tornou-se um meio de sobrevivência para pessoas pobres, que são exploradas por traficantes.
O dinheiro também leva essas pessoas a atitudes inacreditáveis. Por exemplo, um filhote de papagaio vale muito mais do que um de periquito ou maritaca, pois esse é mais abundante. Os "caçadores" pegam os filhotes de periquitos pintam suas penas e bicos com tinta tóxica, arrancam suas caldas e vendem-nos como papagaios.
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